terça-feira, 14 de julho de 2009

Informação "verificável"

Deparei-me um dia desses com uma doutrina filosófica chamada “neopositivismo”. Pessoalmente, costumo ignorar conceitos que comecem com “neo”, uma vez que raramente há grandes diferenças entre o conceito e o mesmo conceito com o prefixo “neo”. Entretanto, fiquei curioso, e comprovei que são mesmo raras as ocasiões em que o “neo” muda alguma coisa.

Basicamente, no entender do neopositivismo, cabe à filosofia esclarecer e precisar os meios de expressão do conhecimento, a fim de eliminar equívocos e sofismas. Para tanto, deve-se seguir o princípio de verificabilidade. Isso significa que cada sentença formulada deve ser avaliada sob o prisma da Ciência, de modo que se possa estabelecer um relacionamento lógico entre as premissas, cujo critério de avaliação seja totalmente isento de inclinações e atributos tendenciosos. Deve-se retirar qualquer possibilidade de intervenção humana na conclusão.

Até aqui, esta leitura acerca do que cabe à filosofia pode parecer perfeitamente aceitável. Afinal, nada melhor do que possuir sentenças imparciais, comprovadas pela lógica e pela Ciência. Mas e a metafísica? Será possível verificar todas as sentenças e chegar a uma conclusão perfeitamente lógica sobre uma questão de caráter metafísico? Não. Segundo os neopositivistas, a metafísica não é assunto a ser discutido pela filosofia. E a ética? É tangível uma visão de acordo com os critérios neopositivos acerca do comportamento humano? Não. Afinal, o que é a ética senão um estoque de decisões volitivas de origem social? Nada verificável. Se não é possível verificar, para os neopositivistas, não cabe à filosofia.

Em suma, devido à radical distinção entre sentenças verificáveis e inverificáveis, a filosofia passa a emanar conclusões somente sobre “o que é” e abstém-se de qualquer visão sobre “o que deveria ser”. Conseguintemente, afastam-se questões metafísicas, axiológicas, éticas, morais. Subordina-se a filosofia às necessidades ou às coordenadas do saber científico positivo, concebendo-a como uma “metodologia da Ciência”. A Ciência fornece os critérios para sua própria avaliação.

Eis o ponto em que esta doutrina perde seu valor! Afasta da filosofia suas questões essenciais e faz com que a Ciência forneça os critérios em que será verificada sua validade para as ações humanas.

A menos que meu leitor seja um idealista neopositivo vienense, não há dúvidas acerca do quão tendenciosa é a visão desta doutrina, haja vista, além do paradoxo exposto, a conjuntura de prosperidade científica em que foi elaborada e a comprovada insustentabilidade de ações humanas voltadas exclusivamente para o desenvolvimento científico-positivo. Incontáveis são os problemas ambientais que comprovam a inviabilidade de uma conduta deste gênero, ainda que meus argumentos sejam considerados ilógicos pelo princípio de verificabilidade.

Mas há algo passível de absorção nessa overdose de epistemologia: dado o desejo por uma informação legitima e confiável, até que ponto é possível verificar o conteúdo de uma mensagem? Sobretudo em textos jornalísticos, quanta intervenção do escritor é realmente necessária para que se transmita um fato, um acontecimento? Não seria benéfico “desumanizar” a informação? Afinal, já existe tanto juízo de valor somente na escolha entre emitir ou omitir um dado!

Não veja meu questionamento como utopia, caro leitor, pois me dei ao trabalho de explanar toda uma doutrina para mostrar que a ausência do homem na análise é inviável. Falemos de coisas tangíveis e que realmente estão acontecendo.

O blog da Petrobrás, por exemplo. Quanta esperança nasceu em mim daqueles textos! Quanta risada dei ao ver que a colunista da folha havia reduzido uma entrevista de vinte e cinco minutos a dois períodos de seu texto! Não que eu ache que a Petrobrás mudará a mídia e esta passará a veicular uma informação mais transparente. Mas só a possibilidade de ver uma empresa se comunicar com a população, refutando as informações da mídia que considera tendenciosas – ou até mesmo pouco claras – já traz uma sensação de progresso. Principalmente devido à facilidade com que isso é feito, uma vez que pulveriza qualquer tipo de intermediação e permite um contato direto entre a informação e o leitor.

Outro aspecto indesejável que deixa de existir com a eliminação de intermediários é a mídia como fornecedora dos critérios que legitimam a informação. Assim como a Ciência não deve fornecer as regras de validação do saber científico, também não cabe ao jornalista decidir o que deve ou não ser reportado.

Não estou sugerindo que joguemos todos os jornalistas aos leões. Reconheço que há grandes nomes na imprensa que, justamente por humanizarem o conteúdo da informação, contribuíram para o esclarecimento de partes da informação que passariam despercebidas sem sua intervenção. O grande problema, na verdade, é que não se tem a opção de escolha entre a informação com ou sem o jornalista; escolhe-se entre um ou outro jornalista (“Escolherás entre Veja e CartaCapital e agradecerás a Deus por a mídia ser tão heterogênea!”).

Anseio, pois, pelo dia em que lerei um artigo apenas para saber a opinião do articulista, porquanto o modo como a notícia ocorreu já estará claro e verificado em minha cabeça. Quero ter a certeza de que tenho conhecimento da verdadeira sucessão dos fatos e de que a única interferência humana em minha opinião é minha. Haverá sentimento mais intenso de consciência e lucidez?

sábado, 2 de maio de 2009

A consciência como patologia social

O homem não consegue observar a si mesmo imparcialmente, de modo que é incapaz de estabelecer juízos acerca da realidade que o circunda sem fazer uso de premissas tendenciosas que lhe possam beneficiar de algum modo. Destarte, as atitudes altruístas possuem seu cerne estritamente vinculado ao benefício daqueles que as praticam e, por conseguinte, se o altruísmo é uma forma de buscar a felicidade, e esta, no capitalismo vigente, consiste na sensação de que o poder aumenta, o altruísmo é, na verdade, um egoísmo maquiado.

Eis a forma encontrada pelo homem para atenuar a aparência de sua terrível ânsia pelo poder: tornar o altruísmo algo virtuoso. Após séculos de intensa doutrinação religiosa, a caridade e a filantropia tornaram-se formas eficientes e seguras de demonstração de poder, pois o filantropo não é visto como alguém prepotente e arrogante, mas sim como um homem que exerce seu virtuosismo, haja vista a transvaloração do altruísmo.

Essa forma de busca pelo poder é, entretanto, inconsciente. O amor ao próximo, da forma como é concebido nas sociedades contemporâneas, é visto como algo ingênuo e benéfico, e está, irreversivelmente, incorporado à moral e aos princípios éticos de todo cidadão de bem. Neste âmbito, o indivíduo vê-se obrigado a se adequar à prática de gentilezas e cortesias, pois a busca pela felicidade só é possível quando trilhada nos caminhos que foram previamente demarcados pelos costumes e pelo senso comum.

Desse modo, a felicidade está sob o despotismo da moral, que determina o norte para as atitudes humanas. Se o homem exerce algum tipo de autoritarismo quando busca a felicidade, é porque trilhou os caminhos da moral. Assim, o autoritarismo, não é uma patologia social, mas sim algo esperado das classes dominantes, que tentam legitimar o próprio poder por meio da concessão de benefícios sociais às classes miseráveis.

A felicidade consciente só é possível, portanto, àqueles que conseguem ignorar os julgamentos morais cotidianos. A imoralidade, porém, é uma patologia social, de modo que a consciência propriamente dita tornou-se patológica. Assim, espera-se que o indivíduo busque a felicidade através da imposição e do autoritarismo. A consciência deve estar atrelada à hipocrisia, a fim de evitar a marginalização.

domingo, 1 de março de 2009

Reciclagem contraditória de idéias

Como a minha campanha já nasceu morta mesmo (vide “Minha querida natimorta”, texto abaixo), enterremo-la, pois assim como não devemos nos apegar aos bens materiais, também as idéias devem ser regularmente recicladas, sem piedade. Talvez, este seja o propósito deste blog: reciclar idéias. As idéias a serem recicladas não precisam ser, necessariamente, ruins. Uma lata de alumínio não passa pela reciclagem porque não tem qualidade, mas porque já foi devidamente utilizada e sua essência deve ser reaproveitada para dar origem a algo novo.

Grosso modo, enxergo as idéias em três vertentes distintas: 1) a das que parecem sensacionais quando surgem, mas perdem todo o encanto quando são racionalmente analisadas; 2) a das que são realmente boas, mas seus efeitos não condizem com as necessidades do momento; 3) a das que são boas e adequadas ao momento e que, de fato, merecem o empenho do indivíduo para sua concretização.

Os dois primeiros tipos assolam, principalmente, a juventude. São típicos da imaturidade, do hedonismo, da ilusão. Aliás, amadurecer deveria ser sinônimo de capacidade de filtrar esse tipo de idéia. Eu disse filtrar, não excluir. Idéias equivocadas dão origem aos sonhos, e estes são fundamentais para a felicidade humana. Um dia escreverei um pouco sobre amor fati. Não agora. O que interessa é que o excesso de idéias dos dois primeiros tipos é o que tem marcado o comportamento impulsivo e imediatista daqueles que são incapazes de manter uma vida estável, e gostam de ser chamados de “arrojados”, “ousados” ou então “desimpedidos”. Entretanto, "veleidade" é a palavra para defini-los. E “intenção fugitiva” é o significado que pretendo para esta palavra. As idéias incabíveis, apesar de necessárias em quantias homeopáticas, são uma fuga da realidade quando dominam o cotidiano do ser. Não devemos confundir “Carpe Diem” com “liberdade irresponsável”, nem utilizar o termo como uma justificativa para o prazer imediato.

Todavia, o termo a ser discutido neste texto é “reciclagem de idéias”, e os primeiro e segundo tipos de idéias devem ser controlados, e não reciclados. Os sonhos, que conceituei acima como doses homeopáticas de idéias incabíveis, por sua vez, não devem ser reciclados jamais. Não se desiste de algo que é fundamental para a própria felicidade. Reciclagem de sonhos tem outro nome: renúncia. Desta, originam-se o rancor, o ressentimento e o saudosismo. Renunciar a um sonho é desistir do próprio futuro, e os que desistem do futuro estão condenados a passar o resto dos dias com os olhos voltados para trás. Nada pior do que desejar uma segunda chance que nunca virá! A reciclagem cabe, pois, à terceira vertente de idéias: a das que são boas e adequadas ao momento.

Mas por que reciclar idéias boas? Simples. Porque elas conduzem à estagnação. Sabe aquele médico do interior, que era pupilo de um famoso neurologista durante a faculdade, mas decorou dois ou três diagnósticos relativos às principais doenças da região, abriu um consultório e faz as mesmas consultas de rotina há trinta anos? E aquele professor de história, que lutava contra a desigualdade quando jovem, mas casou-se, criou barriga e não prepara uma aula desde a queda do Muro de Berlim? Pois é. Ambos foram vítimas das boas idéias. Foram escravizados pela máxima de Aristóteles: “O bem é aquilo a que as coisas tendem”. Talvez essa frase tenha feito muitos recicladores de sonhos se conformarem. E eu não os condeno por isso. Já que a segunda chance não virá, busque algo que o conforte. Mas meu blog é direcionado àqueles que ainda não foram contaminados pelo ressentimento, que olham para o passado e dizem: “Faria tudo da mesma forma, mas não sinto falta do passado. Amo o presente e anseio pelo encontro com quem quero me tornar.” Há viagem mais estimulante do que aquela que fazemos ao idealizar nosso próprio futuro?

As idéias determinam, pois, o futuro do indivíduo que as possui. Aqueles de idéias incabíveis terão o desespero como destino certo. O jovem hedonista tornar-se-á um velho inquieto, acompanhado unicamente das memórias que tem dos tempos de vigor físico, já que seus esforços para consolidar alegrias efêmeras não lhe deixaram nenhuma herança. Aqueles de boas idéias, por sua vez, terão o arrependimento em seu desfecho. Lamentarão por tudo o que poderia ter sido e não foi. Entristecer-se-ão por todos os sonhos a que renunciaram ao seguir a correnteza.

O leitor está esperando que eu ofereça a reciclagem de idéias como solução, eu sei. E é exatamente isso o que vou fazer. Aliás, se você chegou a essa conclusão, fico feliz: significa que meu texto está claro e coeso. Por isso, guardei o último parágrafo para esclarecer uma possível dúvida acerca da reciclagem: reciclar idéias não poderia levar o indivíduo à contradição? Ou seja, mudar constantemente as próprias concepções sobre determinado assunto não poderia fazer com que o indivíduo tivesse uma idéia antagônica àquela que tivera anteriormente? A resposta é: com certeza. Esse é o preço. Por causa disso, deve-se ter uma resposta preparada, para o caso de se contradizer em público. Recomendo a de Walt Whitman: “Contradigo-me? Muito bem, então: contradigo-me. Sou vasto: contenho multidões.” Com esta resposta, você ainda ganhará a discussão. Vou aproveitar para dar aos leitores minha resposta sobre a contradição que acabei de criar: “Que vergonha! Nem terminei de enterrar a natimorta e já a estou contradizendo! Reavivei o ego cogito! Ah! Que importa? Sou vasto.” Pronto. Minha contradição está explicada. O quê? Não consegue conviver com a contradição? Tudo bem, ainda lhe restam os outros dois destinos possíveis: desespero e arrependimento. Boa sorte!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Minha querida natimorta

Decidi tornar “A dolorosa radicalização husserliana” (texto abaixo) o ponto de partida de todas as minhas deliberações para este blog. Lanço, agora, uma campanha: “Chega de ego cogito!”. Cansei de escritores deificados, de conversas de bar em que todos são donos da verdade, de ter como único objetivo provar que meu interlocutor está equivocado. O conhecimento deixou de ser a meta, a recompensa, a finalidade (se é que um dia ele realmente representou tudo isso para a sociedade); tornou-se o meio, o caminho, a obrigação, mero instrumento retórico para o cumprimento de atividades capitalistas e para a manutenção de frágeis relações interpessoais, sejam elas íntimas ou profissionais.

E é tudo culpa do ego cogito! Ninguém reconhece o próprio erro e, pior que isso, todos acreditam ser capazes de elaborar sentenças que possam ser consideradas leis universais. Aliás, isso foi idéia de Immanuel Kant, “agir na conformidade dos princípios que se quer que sejam aplicados por todos os seres humanos”. O famoso imperativo categórico. Este, porém, é praticado conforme a visão de mundo do ego cogito, de modo que, buscando uma lei que gere o benefício de sua sociedade (o aperfeiçoamento da ética é a finalidade do imperativo categórico), o indivíduo não elabora nada além de uma lei que visa ao próprio benefício e, contraditoriamente, permanece alheio a essa verdade. Descartes, o preconizador do ego cogito, já anunciara: “O bom senso é a coisa que, no mundo, está mais bem distribuída: de fato, cada um pensa estar tão bem provido dele, que até mesmo aqueles que são os mais difíceis de contentar em todas as outras coisas não têm de forma nenhuma o costume de desejarem mais do que o têm.” Ou seja, o indivíduo, ainda que irracionalmente, construirá uma ética tendenciosa. O conhecimento é, pois, utilizado pelo ego cogito como instrumento para elaborar um silogismo ilógico (sofisma) e satisfazer os anseios do indivíduo, que jamais deixa de acreditar no caráter benéfico de suas ações. O sincretismo da filosofia européia gerou uma moral contraditória que o existencialismo e a fenomenologia não conseguiram sufocar.

É preciso ressaltar, todavia, que Descartes e Kant apenas documentaram tal comportamento, já que as atitudes humanas, desde o surgimento da História, são coniventes com esses conceitos. Intolerância religiosa, hegemonia de civilizações, modos de produção, sistemas socioeconômicos e problemas ambientais são alguns dos frutos da ética tendenciosa gerada pela aliança entre o ego cogito e o imperativo categórico.

Por fim, vale alertar que minha campanha nasceu morta. Afinal, quem será capaz de passar pela radicalização husserliana e não ser marginalizado pela sociedade? O auto-questionamento, a incerteza e a insegurança são típicas dos pessimistas, essa gente fracassada que não compreende os benefícios do desenvolvimento econômico. O otimismo é a chave para o sucesso, até a física quântica já provou isso (vide “Quem Somos Nós?”). Documentários considerados científicos são a nova onda da auto-ajuda, que está substituindo as religiões nas camadas mais altas da sociedade. Ser confiante é o primeiro mandamento dos ateus ricos, racionais e alienados: todo executivo de sucesso já assistiu a “O Segredo”. Aliás, estes nem são mais tão ateus assim. Agora eles acreditam em um Ser Superior, o “Observador Supremo”. Interessante. No mundo dos idealismos, ser didático é o que importa.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

A dolorosa radicalização husserliana

Sob a denominação de epoché, os céticos gregos recomendaram a "suspensão do juízo" como forma de se chegar a um ser imperturbável. Tal atitude consiste no incessante questionamento da veracidade de tudo o que nos circunda e tem como conseqüência a inexistência de uma sentença inviolável. Segundo Pirro, duvidar do caráter bom ou mau das coisas levaria o homem a um elevadíssimo grau de sabedoria, uma vez que novas premissas surgiriam para refutar a idéia inicial. O ser imperturbável originar-se-ia da consciência de relatividade das verdades externas ao ser e da conseguinte segurança acerca do próprio ego.

Durante séculos, porém, a epoché esteve ausente do cotidiano filosófico, em virtude do dogmatismo medieval. Foi Descartes que, no século XVII, adaptou a dúvida a seu método, adotando uma postura semelhante à dos céticos gregos. O ego cogito foi preconizado pelo famigerado método cartesiano, que lhe rendeu o título de “fundador da filosofia moderna”, e tornar-se-ia objeto de estudo de um filósofo do século XX: Edmund Husserl.

O ego cogito, na concepção cartesiana, faz parte do homem que está em estado de epoché, o qual, diferentemente dos comparsas de Pirro, não visa mais a torna-se um ser imperturbável, mas apenas a adquirir o conhecimento de uma verdade aceitável e adequada a seus valores. Não obstante a disparidade de fins, o ego permanece inquestionável em ambas as concepções.

Essa “dogmatização do ego” foi considerada contraditória por Husserl. Se a formação do homem imperturbável não é mais o fim, por que não duvidar do ego? Não seria a autocrítica a melhor forma de se chegar a uma verdade absoluta? Submeter o próprio ser a uma metralhadora de interrogações, questionar as próprias intenções, relativizar a si próprio: eis que surge o ego transcendental!

O ponto de cladogênese entre a epoché cartesiana e a epoché fenomenológica foi, portanto, a concepção acerca do ego. O ego transcendental está submetido à epoché e o sujeito cético, fundamentalmente seguro de si mesmo, desaba sob seu autoflagelo. Afinal, duvidar de si mesmo é a forma mais cruel de se torturar. Desses egos antagônicos, surge a necessidade de escolha: verdade sofrida ou imperturbabilidade ilusória? Sobre isso, Nietzsche responde: “A verdadeira questão é: quanta verdade consigo suportar?”